O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data comemorativa. Trata-se de um marco histórico que nos convida à reflexão sobre a dignidade da mulher, suas lutas por direitos e sua contribuição fundamental na construção de uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

A origem desta data está ligada às mobilizações de mulheres trabalhadoras no final do século XIX e início do século XX, que reivindicavam melhores condições de trabalho, igualdade salarial e participação política. Em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como um momento de reflexão global sobre os direitos das mulheres e a promoção da equidade de gênero.

Ao longo da história, as mulheres enfrentaram inúmeras barreiras impostas por desigualdades sociais, culturais e econômicas. O acesso à educação, ao mercado de trabalho qualificado e aos espaços de decisão foi, por muito tempo, limitado. Mesmo diante desses desafios, muitas mulheres se destacaram por sua coragem, fé e capacidade de transformar realidades, abrindo caminhos para as gerações futuras.

No carisma salesiano, encontramos uma figura feminina profundamente inspiradora: Margarida Occhiena, carinhosamente conhecida como Mamãe Margarida. Mãe de Dom Bosco, ela teve papel essencial na formação humana e espiritual do santo educador. Mulher simples, forte e profundamente marcada pela fé, dedicou-se à educação dos filhos e, posteriormente, aos jovens acolhidos no Oratório de Valdocco.

Sua presença entre os jovens foi marcada pela ternura, pela escuta e pelo testemunho de vida. Com olhar materno e coração generoso, Mamãe Margarida ajudou a construir um ambiente de família, onde os jovens mais pobres encontravam acolhida, orientação e cuidado. Sua forma de educar, baseada no exemplo, no respeito e na dignidade de cada pessoa, tornou-se um sinal concreto da presença feminina na missão salesiana e um testemunho vivo do amor educativo que caracteriza o Sistema Preventivo de Dom Bosco.

Inspirados por esse legado, nossas obras salesianas continuam comprometidas com a promoção da dignidade humana, especialmente entre os jovens mais vulneráveis. O cuidado, a educação para os direitos e a formação para a convivência respeitosa fazem parte da missão educativa que buscamos viver diariamente.

Um exemplo dessa atuação aconteceu no Cesam Goiânia, onde a psicóloga Melrilene Gomes realizou uma formação com os aprendizes sobre o feminicídio. A atividade teve como objetivo promover a conscientização dos jovens sobre as causas e consequências da violência contra a mulher, relacionando situações do cotidiano com a legislação vigente e incentivando atitudes de respeito, responsabilidade e compromisso com a vida.

Entre os depoimentos dos educandos que participaram desse momento, destaca-se a reflexão de Rikelme Mendes:

“Foi uma palestra de extrema importância para nos atualizarmos sobre fatos que ocorrem diante de nós, mas que muitos se recusam a enxergar. É primordial termos um olhar empático pelas vítimas, em vez de julgá-las, além de termos consciência do nosso lugar na sociedade, respeitando e sendo solícitos com o próximo.”

Sabemos que ser mulher é também ser sinal de força, cuidado e esperança. Nas famílias, comunidades e ambientes de trabalho, as mulheres exercem diariamente um papel essencial na promoção da vida, da solidariedade e da justiça. No entanto, apesar dos avanços alcançados, a violência contra a mulher ainda é uma realidade preocupante e exige o compromisso de toda a sociedade.

Nesse sentido, a prevenção passa pela educação, pelo diálogo e pela promoção de uma cultura de respeito e igualdade. Nas escolas, nas famílias e nas instituições, é fundamental cultivar valores que promovam a dignidade humana, a convivência pacífica e o reconhecimento do valor de cada pessoa.

Celebrar o Dia Internacional da Mulher é reconhecer conquistas, valorizar histórias e reafirmar nosso compromisso com a construção de um mundo mais humano e fraterno. À luz do carisma salesiano, somos chamados a continuar promovendo ambientes educativos que cultivem o respeito, a solidariedade e o cuidado com a vida, especialmente entre os jovens.

Que esta data seja, para todos nós, um convite não apenas à homenagem, mas também à responsabilidade de construir, juntos, uma sociedade onde cada mulher seja reconhecida em sua dignidade, valorizada em sua missão e respeitada em seus direitos.

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